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103 Palpites sobre o GUZERÁ

103 palpites sobre Guzerá

Os anos de trabalho e convivência com o rebanho Guzerá, com os homens que criavam e criam estes animais e com os técnicos que os estudam, permitem colocar um conjunto de idéias que, longe de pretenderem ensinar, refletem a vontade de compartilhar algumas observações coletadas em mais de 30 anos de participação em julgamentos nas pistas:
1- O Kankrej é raça tronco dentre as indianas e o nome Guzerá deve ser entendido como sinônimo perfeito.
2- Há variação de morfologia entre Kankrej puros.
3- Perfil sub-côncavo nas fêmeas e até o retilíneo são pré-condições para aferição de qualidade racial.
4- O crânio do Kankrej é típico, inconfundível e indispensável na avaliação.
5- Chifres sempre em forma de lira, nas fêmeas adultas, mais ou menos abertos, com diferentes desenhos, são clássicos na raça.
5.1- A direção geral forma sempre um ângulo menor que 180º com linha fronte/chanfro.
5.2- Os dos machos têm o formato de lira menos nítido.
5.3- Nunca têm secção circular, mas antes são ligeiramente achatados.
5.4- Nos animais jovens, são mais difíceis de serem aferidos, mas um indício indispensável é a direção para fora, para cima e ligeiramente para frente.
5.5- Nas fêmeas adultas, têm estrangulamento na base, são mais delicados do que nos machos e acompanhados de uma parte de couro na inserção com o crânio.
5.6- Pontas divergentes não são desejáveis no animal adulto. Tolerável em vacas mais velhas.
5.7- Estrias claras são normais, desde que não exageradas ou associadas a partes brancas no casco.
5.8- Pontas afiadas ou rombudas não são desejáveis.
5.9- Pancadas em idades jovens deformam os chifres e dificultam a observação dos detalhes, mas não devem ser desqualificantes.
5.10- Posição geral muito para frente é perfeitamente tolerável.
5.11- Posição geral muito nítida para trás da linha da fronte é eliminatório.
5.12- O tamanho médio é o ideal, devendo os extremos ser evitados, tanto para mais quanto para menos.
5.13- O amochamento não traz qualquer problema para avaliação do animal – apenas torna absoluta e decisória a avaliação do crânio.
5.14- Na base do chifre, estrangulada, uma dobra da pele é típica (barbela do chifre).
6- A soldadura do osso frontal saliente (nimbure) não é desejável, tolerável nas fêmeas jovens.
6.1- A marrafa, nos bezerros, é idealmente reta, nunca convexa, sempre com tonalidade de cor enferrujada.
7- Saliência no frontal, entre os olhos e em direção à marafa, deve ser firmemente evitada.
8- Os olhos são nitidamente amendoados e a órbita saliente, obrigando o animal a elevar e inclinar a cabeça para a frente, criando a inconfundível posição de atenção que caracteriza a raça.
8.1- As órbitas são salientes, sempre mais nos machos.
8.2- Olhos claros (gateados) são freqüentes e toleráveis, por vezes associadas à pelagem mais clara e a estrias brancas nos chifres.
8.3- As pálpebras são, obrigatoriamente, negras.
8.4- Os cílios devem ser negros. Cuidados com os cílios mesclados, especialmente associados à existência de partes claras na pele, nos chifres, nos cascos e nas mucosas.
9- As orelhas ideais são médias, espalmadas, muito móveis, delicadas, colocando-se para frente em ângulo próximo a 45º com a face em ângulo ligeiramente inclinado para frente em relação à linha da fronte.
9.1- A pele no interior do pavilhão é rosada, sendo manchas negras (vírgulas) sempre indícios de firmeza na pigmentação geral do animal.
9.2- Orelhas pendentes, ou muito longas, ou grosseiras, ou com dobra na ponta (gavião), ou pouco móveis, devem ser firmemente evitadas.
9.3- Bordas de orelha debruadas de negro atestam que o animal nasceu vermelho. Normalmente associadas a pelagem muito escura ou avermelhada. Tolerável mas não desejável.
9.4- Forma tubular, ainda que discreta, é defeito eliminatório.
9.5- Apêndice de pele na parte extrema da orelha, quase sempre situados no terço superior, rudimentar ou desenvolvido, vulgarmente chamado quatro orelhas (embora possa existir em uma só das orelhas) costuma ser encontrado e é bem típico do puro Kankrej, embora surja, também, nos mestiços. Tolerável.
10- A fronte é larga, nunca proeminente, mais delicada nas fêmias.
11- O chanfro é curto, maior e delicado nas fêmeas. Reto.
11.1- Desvios de chanfro são comuns e devem ser evitados, mesmo os discretos.
12- As narinas são arrebitadas, como se fossem amarradas e estranguladas por um fio apertado, largas e negras.
12.1- Mucosas nasais ligeiramente claras são toleráveis. Salpicadas ou com muita pigmentação clara, indesejáveis. Ao nascer, o bezerro pode ter mucosas claras, que devem escurecer depois.
13- A boca é larga, com maxilar inferior bem encaixado.
13.1- Animais de chanfro muito curto, brevilíneos tendem a apresentar prognatismo o que é eliminatório.
13.2- O agnatismo, também eliminatório, costuma vir acompanhado de uma sombra de pele sob o maxilar inferior, formando um eixo indesejável.
14- A nuca é convexa (cangado), freqüentemente com musculatura dupla, formando uma depressão longitudinal.
14.1- O pescoço é médio, mais curto e forte nos machos.
14.2- Animais que caminham com a cabeça baixa não têm a altivez típica da raça.
15- O cupim, nos machos, é grande, equilibrado em volume com o tamanho do animal, simétrico, apoiando-se no dorso na idade adulta.
15.1- Nas fêmeas é sempre menor.
15.2- Nos jovens, também é proporcionalmente menor. Bezerros com giba muito grande para a idade tendem a ser brevilíneos e atingem o tamanho adulto mais cedo, com menores pesos.
15.3- O cupim tombado para a direita é muito mais freqüente que o inclinado para a esquerda. Este constitui defeito menos grave e, se, discreto no desvio, pode ser tolerado. O primeiro é indesejável.
15.4- Perfeita simetria é raridade, mas constitui o ideal.
16- O dorso-lombo deve ser largo, musculoso e nivelado.
17- Os flancos devem ser bem cobertos, com as costelas profundas, sem depressões na clavícula.
18- O osso sacro deve ser longo, nivelado, se possível mergulhado em massa muscular, invisível na silhueta lateral.
19- A inserção da cauda deve ser a mais distal possível.
19.1- A cauda é longa, móvel e flexível.
19.2- A vassoura da cauda deve ser cheia, com pelos negros, tolerando-se capa mais clara no seu início. Mecha, nunca. Não deve ser aparada jamais.
20- Os aprumos traseiros são fundamentais. Cuidado com os animais que, em posição normal, têm a cauda dentro da linha externa posterior dos jarretes.
20.1- Coxas longas tendem a ser menos musculosas, não sendo desejáveis.
20.2- Excesso de cocheira aumenta os defeitos dos aprumos.
20.3- Cascos pretos, duros e pequenos. Cuidado com desalinhamento de unhas ou excessivo afastamento entre elas. Freqüentemente, causam feridas na coroa do casco que originam os gabarros. É caráter bastante transmissível à progênie.
21- Garupa comprida, ancas niveladas, ílios e ísquios, com aberturas amplas e iguais, musculatura convexa, eis o desejável.
21.1- Sob a cauda e logo acima do ânus uma dobra nítida de pele é normal e típica.
21.2- Ânus com mucosa negra, assim como vulva, são indispensáveis.
21.3- Entre-coxas musculosas, bem descidas, com escudo largo e coberto de pele macia, são desejáveis.
22- Testículos móveis. Bolsa escrotal com pele macia, rósea. Bolsa preta costuma trazer problemas de pelagem. Evitar.
23- Umbigo curto com o vergalho bem dirigido. Prepúcio não penduloso. Fundamental este caráter.
24- Barbela pregueada, estendendo-se entre as mãos até o umbigo (ligação) de forma discreta, porém definida.
24.1- Sob o maxilar a barbela é dupla e tem corte nítido no primeiro terço. Pele fina e macia.
25- Ventre sem excesso de volume aparente. Evitar também animais com aparência de barriga vazia, ou seja, murcho de ventre.
26- Pelagem azulega é a melhor. A tonalidade varia muito. É função da luminosidade (que a clareia, quando forte) e, nas fêmeas, do estágio de gestação. Assim, a mesma vaca, se estiver no fim da gestação e a época for de meses de dias curtos, será muito mais escura do que em dezembro do mesmo ano, com bezerro ao pé.
26.1- Pêlos curtos, sedosos. Evitar animais cabeludos. Em alguns espécimes, o pêlo cai totalmente nos meses quentes e a pele fica à mostra. Não é desejável, mas não traz problemas se o pigmento do couro for firme.
26.2- A literatura cita que 1% dos bezerros nasce vermelho. Quando adultos ficam sempre mais escuros, algumas fêmeas com cor de chocolate. Os machos se tornam quase de um preto uniforme, fechado. Nos animais que nasceram vermelhos, a borda das orelhas é debruada de preto e, nos machos, a bolsa escrotal também permanece escura. Não é ideal, mas tolerável.
26.3- Outra pelagem encontradiça é a cor de tijolo. Pele, mucosas cascos, chifres, pêlos – tudo é atijolado. Quase sempre são animais de excelente caracterização racial. Quando acasalados com parceiros de pelagem típica, não reproduzem esta coloração rara. Não são registráveis.
26.4- Manchas mais claras ou avermelhadas podem aparecer nas partes mais escuras. Se não tiverem contorno definido, nítido (malhado), são perfeitamente admissíveis. Chamava-se esta mancha mão de Deus. Logo, é uma característica não desmerecedora. Também podem ser manchas mais escuras nas partes claras. A avaliação é a mesma.
26.5- Pintas salpicadas (sirigado) na barbela ou na pele solta da coxa são indesejáveis. Têm ligação com pinta na testa (estrela) ou mecha branca na vassoura da cauda, ambos fatores desclassificantes.
26.6- O branco total (desde que com nuances mais escuras nos joelhos dianteiros e na coroa dos cascos) não é do gosto dos criadores, porém é pelagem típica. Deve ser severamente evitada nos machos, para não ampliar a freqüência no rebanho.
26.7- Tonalidade acobreada, vindo até a amarelada, não é desejável, embora famoso criador, que trouxe gado da Índia na década de 60, julgasse positiva esta anormalidade.
26.8- Os bezerros nascem claros, com tonalidade de ferrugem na marrafa. Escurecem depois. Os que já forem cinzentos vão ficar quase pretos.
26.9- Cara preta, nas vacas, com todo o chanfro e fronte negros, chegando às laterais do crânio, é garantia de excelência, valorizando o animal.
27- Ubre de pele macia, quartos simétricos, tetas pequenas e iguais no tamanho, sempre murcho depois da ordenha e bastante intumescido quando cheio, de tirada fácil, tem que ser muito valorizado e os defeitos porventura existentes devem penalizar severamente a vaca.
27.1- As bezerras novas já devem mostrar um projeto de ubre definido. Evitar aquelas onde o órgão fica quase invisível.
27.2- Quartos assimétricos, normalmente com os dois traseiros menos desenvolvidos, são freqüentes e devem ser objeto de correção genética.
27.3- Temperamento arisco dificulta sobremaneira a ordenha. Às vezes, as vacas dão pouco leite na tirada, mas os filhos estão sempre gordos. Escondem leite e é problema a evitar.  
28- Temperamento dócil, aparência geral tranqüila, curiosidade frente ao homem sem agressividade, eis um dos caracteres mais desejáveis na raça e, quando ausente, um dos maiores problemas. Radicalizar na eliminação dos indivíduos de má índole, principalmente nos machos reprodutores, já que é caráter de alta herdabilidade.
28.1- Vacas recém-paridas defendem sempre seus bezerros. Isto é normal e não constitui defeito.
29- Altivez no porte e na expressão geral é altamente desejável e, quando ausente, deprecia o animal – jamais será uma rês destacada na seleção.
30- Aprumos dianteiros não verticais, com joelhos juntos e casco apontando para fora, devem ser evitados com rigor.
31- Os maiores defeitos, na raça, para os criadores comerciais, são: temperamento bravio, tetas grandes, chifres (que são sempre maiores do que em outras raças e dão aparência enganosa de idade e agressividade) ossatura grosseira, bezerros molengos.
31.1- A raça existe há cinco mil anos. Vamos respeitar e exigir uma caracterização racial perfeita, que garanta a prepotência dos atributos zootécnicos.
31.2- Melhoramento genético significa utilizar os ensinamentos que a ciência apura com bom senso e dedicação, sem radicalismos para qualquer direção. Não há verdade absoluta – o que é correto hoje pode mudar amanhã.
31.3- O bom criador segue sempre um programa de melhoramento com base científica e com forte tempero de intuição.
31.4- A zootecnia tem linguagem universal. Os caminhos do melhoramento são múltiplos, mas todos têm que ser inteligíveis para aqueles que são leigos nas sutilezas da raça.
31.5- Método e disciplina são indispensáveis em qualquer trabalho. Anote sempre os dados registrados e siga um método reconhecido para coligi-los.
31.6- Melhoramento de bovinos é processo naturalmente lento e os ganhos, por geração, geneticamente pequenos. Tenha persistência.
31.7- O pessoal envolvido no trabalho de campo tem que ser competente, dedicado, paciente e gostar de animais. Nunca menospreze esta avaliação.
31.8- Defenda-se dos modismos.
31.9- Dê uma chance ao tourinho. Ele tem obrigação de ser melhor que o pai.
31.10- Os bezerros têm que ser sempre melhores do que as novilhas e estas superiores às vacas para que se ande para frente.
32- Pele bem rosada no escudo é sinal de leite gordo. Este tipo de afirmação costuma ser engraçado, mas nada tem de verdade.
32.1- Terminamos com humor – alguém disse que é, mas, em realidade, não é: cupim tombado é sinal de animal grande. Não é.
32.2- Touro menso é touro grande. Não é.
32.3- Animal bravo é bom porque ninguém ordenha vaca e o bezerro está sempre gordo. Não é. Ao contrário, é péssimo.
32.4- Ninguém come cabeça. Ou chifre. Ou orelhas. Portanto, não ligo para isso. Insensatez, pois mestiços não tem prepotência.
33- O Guzerá é a melhor raça tropical do mundo, além de ser a mais bonita. Verdade, pelo menos para mim.      
 


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